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Análise Psicológica - Tudo Pode Dar Certo

Análise Psicológica - Tudo Pode Dar Certo

Escrito por Doutor Anibal em 15 de maio de 2020

Análise psicológica do filme TUDO PODE DAR CERTO, de Woody Allen, escrita pela querida psicóloga, Eliane de Almeida. Psicoterapeuta há mais de 43 anos e criadora da Fórmula Psíquica©. Você pode conhecer mais sobre o trabalho dela no Instagram:  https://www.instagram.com/psicologaelianedealmeida/

ANÁLISE PSICOLÓGICA TUDO PODE DAR CERTO

Woody Allen faz uso de uma brincadeira trágico-cômica, permeando uma visão existencial, acerca da natureza dual da humanidade. É brincando com a comunicação entre os opostos, que apresenta os diálogos polarizados entre seus personagens.

Assim, apresenta os conflitos duais com espelhos de opostos entre seus personagens, destilando uma visão existencial voltada para o lado sombrio da humanidade. Boris, seu personagem principal, na verdade transformou-se num monstrengo psíquico, por não suportar as dores provenientes de suas percepções e conclusões acerca da condição humana.  Por carregar tantas deformações, (paranóico, obssessivo-compulsivo, pânico, hipocondria, depressão mórbida) se vê inviabilizado para existir. Um niilista contumaz, dono de uma filosofia de vida fixada no caos cético e inviável de uma possível teoria quântica.

Um desfile de personagens que abusam dos mecanismos de defesa da mente, com diálogos que saltam aos olhos, de forma caricata destes manejos. Boris, um cientista cosmopolita, usa a intelectualização para tentar manter seu mito de gênio, além da negação (de suas emoções e sexualidade) da forma mais primitiva, que acaba levando-o aos extremos de comportamentos suicidas (vítima sem saída). Usa do isolamento e do ataque verbal agressivo-destrutivo (pai crítico perseguidor), como defesas à burrice e ignorância humana.

Melodie o oposto do gênio, uma interiorana ingênua e sem cultura, usa e abusa da negação para não crescer. Além disso, em sua condição submissa e sem identidade própria, usa também o mecanismo de defesa confluência, repetindo as teorias de Boris. Sua mãe, também uma suburbana, que adota a sublimação (recalcando sua messalina com desejos sexuais “impuros e inconfessáveis), tornando-se uma dona de casa carola e sem expressão. Seu pai a pura encarnação do machista interiorano, no papel de comedor e traidor do mais puro sangue machista masculino, na verdade recalcando seus íntimos desejos sexuais reprimidos (homossexuais). Os amigos intelectualóides, expressam seus desejos ocultos de serem dominados na cama por fantasias regressivas sexuais (pai, mãe e filho em harmonia sexual resolvendo o Édipo). Assim não sustentando nenhuma pretensa supremacia intelectual.

Os diálogos entre os personagens em polarização oposta, são muitas vezes caricatos, densos e levam ao desencanto pela vida. Demonstram inquietantes questões existenciais e cumprem a função de evidenciar as dualidades opostas entre eles.

Boris (o gênio) x melodie (a burra)

Boris (o cético cientista) x (namorada vidente)

A mãe (carola) x a mãe (devassa)

O pai (machão e machista) x o pai e namorado (gay)

O cosmopolita x o interiorano

A sombra (instintos básicos, primitivos e menos evoluídos da humanidade)-X-a luz (dons, potencialidades essenciais e inatas da humanidade)

O término do filme com os conselhos “salve-se quem e como puder” de Boris para a platéia evidencia uma conclusão niilista e sem sentido da vida. Demarcando o acaso improvável e a sorte como os fatores primordiais e determinantes do curso e evolução da vida. Negando qualquer participação de livre escolha, ao preferir tantos determinismos e acasos.

No aspecto trágico, não há “nenhuma graça” em uma possível identificação com os lados sombrios e verdadeiros dos personagens e de toda a humanidade. E muito menos, não é nada risível a imposta supremacia niilista do personagem Boris.

No aspecto cômico, rir de nossas idiossincrasias e sombras estampadas nas inquietações e características dos personagens alivia. Mas também, faz pensar em saídas mais saudáveis para os impasses de vida e existenciais, dentro de cada um de nós.

Aqui da platéia, um recado para o desesperado Boris. Perceber, elaborar e aceitar a sombra que existe dentro de cada um, é um fator libertador, não necessariamente uma sentença de desesperança e morte. A aceitação da sombra abre caminhos de acesso à luz que também existe em nós. Cria possibilidades evolutivas, que nos remetem à libertação, ao crescimento e harmonia. Fomenta um processo de crescimento que nos liberta do caos e do determinismo psíquico.

No mais, penso que o belo, o estético, a criatividade, a capacidade inata para o amor e a diferença única que mora em cada um de nós, por si só, justifica a grande aventura de estarmos aqui, todos juntos e vivos.  Prontos para qualquer momento saltarmos para a criação, o novo e a libertação.

PSICÓLOGA ELIANE DE ALMEIDA

CRP – 0832-01

Email – [email protected]

CRM-DF 17.813
Acredita na importância da escuta acolhedora, do vínculo e da confiança como fios condutores do processo terapêutico.

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